José se foi.
Ficamos perplexos e desamparados.
Estávamos mal acostumados.
Ou seria, bem acostumados?
É mais um paradoxo,
que nos deixou como legado.
José partiu.
Num gesto espontâneo.
Assim. De repente.
José se pôs.
Como o sol poente.
José falhou.
Por ser bom o suficiente.
Do espaço potencial,
tentamos recriá-lo.
Esse poema é a ponte,
na ilusão onipotente
de reinventá-lo.
No viver criativo,
transitamos.
Aplacamos carências.
Reparamos ausências.
Mais que nunca,
é preciso brincar.
Brinquemos, joguemos,
esse jogo espatular.
Em busca do porvir,
façamos rabiscos,
aguardando um prosseguir.
Temos na devoção comum,
a continuidade do ser
de cada um.
E na ambiguidade,
um misto de pulsão
e transicionalidade.
Responda, doce ilusão!
Haverá solução
à nossa contradição?
“Self or not self”?
Eis a questão.
José Outeiral,
Não mais está.
O que dele ficou,
que seja, eternamente,
nosso objeto transicional.
José Guedes
Assista o psicanalista JOSÉ OUTEIRAL falando sobre “Famílias na Contemporaneidade”:
